Archive for the ‘Falo mesmo!’ Category

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O das vizinhas desesperadas

terça-feira, 5th *.* outubro, 2010

Resolvi voltar a escrever. Isso porque o assunto não sai da minha cabeça: até que ponto a vida dos seus vizinhos realmente te interessa? Pra mim, o interesse é mínimo, por isso talvez seja tachado de metido no bairro.

Não sei do de vocês, mas onde moro é tomado pelas vizinhas. Nada muito surpreendente, claro, mas imagino que vizinhanças de casas sejam mais propícias para a proliferação desse tipo (talvez a falta de espaço em apartamento iniba o desenvolvimento de fifis).

Pois bem. Nada passa ileso ao olhar das vizinhas, em especial as mais atentas. Os amigos que te visitam; as encomendas que entregam; nem mesmo as contas a pagar que chegam. É quase uma Wisteria Lane, de Desparete Housewives.

Na minha vizinhança tem menos photoshop e glamour

Quando eu era adolescente isso me incomodava muito pois não havia um movimento que eu fizesse próximo ao portão que mais tarde caísse nos ouvidos da mamãe. Tudo bem que algumas coisas até eram umas merdas juvenis, mas quem nunca fez besteiras?

As coisas que as vizinhas viam e falavam até causaram algumas pequenas discussões familiares. Mas o melhor é que rendiam até boas histórias.

Como o da menina que foi pega roubando chocolate e sutiã no shopping. Ou do garoto que, apesar de ser gente boa, era conhecido como o maconheiro. Ou o homem que foi chifrado pelo vizinho e a própria mulher espalhou tudo; ele ainda pediu para voltar. Pior, a garota que teve a foto flagrada num desses sites de acompanhantes sensuais.

Acho que a única coisa que ainda não tivemos como em Wisteria Lane foi um assassinato misterioso (os que rolaram sempre tinham o tráfico envolvido – relaxem que o maconheiro está vivo, ainda).

Então, recentemente, uma vizinha que tinha ido embora há um tempo pro interior voltou para o bairro. Diferente, pois tinha sofrido um acidente e tido um derrame. A princípio, ela era muito quieta e raramente saía de casa, mas o tempo passou e ela começou a se sentir à vontade. Demais.

A sua varanda virou um posto avançado de observação da Rua 7. Visão privilegiada para cima e para baixo num trecho de aproximadamente 100 metros. Nenhum vizinho próximo escaparia do seu campo de visão. O alvo principal: a casa em frente. Oh meu deus, é a minha!!!

Ela tem um quê de Martha Huber, mais enrugado. Jura?!

Como ela é aposentada, os dias do mês são divididos em sacar a aposentadoria, pagar contas, comprar remédios e fazer compras. O restante ela passa cuidando da vizinhança e jogando dominó com os netos e algumas crianças da vila.

Os fatos mais curiosos que eu soube ou presenciei: o dia que o rapaz que faz a medição da água chamou em casa e eu sai para atender e ela me mandou voltar a dormir que ela atendia (minha mãe, muito esperta a usa a seu favor, como uma ferramenta de recebimento de encomendas e outras coisas).

Ou o dia que dois colegas da minha mãe estavam no portão e ela saiu para fora para perguntar por mímica quem era, nas costas das pessoas em questão. Mas o fator campeão: ela arranjou uma almofada para escorar os cotovelos na mureta da varanda e observar os transeuntes sem se machucar. Uma gênia não é mesmo?!

Nessas brincadeiras ela sabe até os horários que chego em casa quando volto da balada porque acorda muito cedo. Eu sinceramente tenho medo, mas o que se pode fazer além de não fazer nada de comprometedor no portão.

Afinal, as vizinhas estão todas de olho! (E vale lembrar que a sétima temporada de Desparete Housewives acabou de começar nos Estados Unidos).

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Nossa, estou cansado (desabafo!)

quinta-feira, 28th *.* janeiro, 2010

Nossa, eu tô cansado.

Quero uma vida nova, quero descer do mundo, quero me esconder, quero fugir, quero sumir.

Quero desligar o computador e correr, quero sentar na grama e nada fazer, quero ver a chuva cair, quero pisar na lama e não me preocupar.

Quero dormir e acordar, quero levantar, sentar e voltar a deitar. Quero andar devagar, quero estar sem pressa, quero olhar o relógio apenas para ver o ponteiro rodar.

Quero ver o dia amanhecer e te olhar. Quero contar quantos fios tem os cílios, até cansar ou acabar. Quero subir no telhado e gritar, gritar, gritar. Quero olhar para as nuvens e para elas formas criar.

Quero correr sem ter medo de cair, mas se isso acontecer, quero poder levantar, olhar meu joelho ralado e não ligar. Quero entrar no ônibus sem ter um lugar exato ir e depois simplesmente levantar. Não quero ir trabalhar.

Não quero ter um compromisso. Não quero ter vários. Quero sair sem rumo. Quero acordar às 7h e comer pizza gelada com Coca desgaseificada. Quero dormir num parque e acordar num lugar com vista pro mar. Quero ouvir músicas no shuffle até a bateria acabar.

Quero ser solteiro, comprometido, enrolado, casado, divorciado… Quero uma vida plena, mas uma vida que não me envenena nem pessoas que me condenem. Quero o prazer das coisas simples, quero o luxo das coisas complexas. Quero uma arquitetura bela e descompromissada, com um toque de favela, elegância e Niemeyer.

Quero botar meu pé na estrada, passar por Itajaí, Genebra e Paris. Quero pular do mar e cair no céu, ou o inverso e ir para o inferno. Quero água, vodka e um fermentado, quero ir para um bar e não ter de pagar. Quero fumar, quero pular, quero voar. Vamos nadar? Quero fazer sentido e reparar. Quero parar e só olhar, olhar, olhar até cansar.

E rir, quero rir sempre, sorrir valente, seguir em frente. Quero jantar, almoçar, doces devorar. Quero amor e amar. Quero sentir e por que não a dor? Quero o nada. Ao mesmo tempo, quero tudo. Pode parecer que não sei o que quero, mas sei. Quero poder querer, e ter, meus quereres.  O único problema é a hora que quero. Muda toda hora o que quero. E no fim, agora, não sei mais se quero. Te quero? Me quero? Paquero? Quero-Quero?

Eu quero!

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Internet, internet, internet

sábado, 8th *.* agosto, 2009

O Mundo de Ítalo não morreu, tá gente. Não ainda. Só para avisar, fiquei uma semana e meia sem internet em casa. Logo, logo tem mais postagens sobre qualquer coisa por aqui.

Um oferecimento de Telefônica: ou você usa e paga caro ou fica desconectado (sair da Sibéria, infelizmente, não é uma opção)

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Trânsito e transporte público em São Paulo

terça-feira, 7th *.* julho, 2009

23 de Maio fica linda com trânsito

23 de Maio fica linda com trânsito. Foto: Clayton de Souza

O trânsito de São Paulo está cada vez mais caótico. Para tentar controlar isso, a prefeitura cria ideias cada vez mais mirabolantes para tentar conter os crescentes congestionamentos. O mais recente foi barrar a circulação de fretados numa região do centro da cidade. Para mim, é até uma medida válida, mas por pouco tempo. Assim como o rodízio de carros foi e como o rodízio de caminhões e Vucs está sendo.

O que os nossos queridos governantes precisam lembrar é que esse é um defeito das metrópoles. Onde o crescimento populacional é grande demais, assim como a oferta de emprego, de lazer e todo o resto, acaba virando isso. Será que esqueceram que São Paulo é uma das maiores cidades do mundo (tanto econômica quanto populacionalmente)?

Nova York vive com o trânsito parado. Times Square e Wall Street na hora do rush é uma montanha de carros. Só que lá, as ruas e avenidas foram feitas de uma maneira ‘inteligente’, e a planta de Manhattan, por exemplo, é toda quadriculada.

Manhattan planejada

Manhattan planejada

Daí eu lembrei de Londres, que é outra cidade gigante. Lá as ruas são todas tortas e tal. Mas lá eles têm o chamado “tube”. Ou para nós, o metrô. E, pasmem, lá eles têm muito metrô para andar. São 11 linhas que cruzam entre si e entre as linhas de trem. Lá tem metrô para qualquer lugar. Assim como Nova York também tem metrô para qualquer lugar.

Além disso, o restante do transporte público dessas cidades também são eficientes. As linhas de ônibus interagem com as de metrô. Então lá, nessas cidades, eles podem contar com uma alternativa. E ainda assim o trânsito é ruim, mas bem melhor do que aqui.

Teste comparativo: qual metrô é maior? (clique para ampliar)

Sabem por quê? Por que nessas cidades houve investimento em transporte público. Por que se o motorista tiver a oportunidade de chegar ao trabalho dele sem precisar passar três horas preso no trânsito e de uma maneira confortável, como se estivesse de carro, ele com certeza iria usar essa opção.

Mas usar transporte público em São Paulo significa ficar nervoso, amassado, desconfortável e, ainda assim, conseguir chegar atrasado ou demorar tempo o bastante para que o banco do carro por três horas seja mais atraente.

Então, se não ficou claro ainda, o investimento que precisa para mudar o trânsito em São Paulo, ou pelo menos melhorar bastante, é no transporte público. Deixem o pessoal do fretado chegar mais confortável no trabalho de uma maneira que reduza o número de carros nas ruas.

Tem mais sobre trânsito nesses links:
Como SP, metrópoles ainda buscam saída para trânsito
Greve do Tube? Vou de barco? Ou compro uma bicicleta?
Japoneses abrem mão do automóvel. E se espremem nos trens

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Por quê eu gosto de House?

quinta-feira, 2nd *.* julho, 2009

Há muito tempo eu venho pensando em como escrever esse texto. Tive vários flashes de como iniciar o parágrafo e ideias iniciais dadas por amigos, mas nada. Ele não saia. Daí, lembrei de uma das minhas primeiras aulas no curso de Jornalismo, com um professor dizendo que “normalmente, quando você senta para escrever e não consegue é porque não há dados interessantes. Ou seja, ou a pauta foi mal apurada ou o tema é fraco demais para virar texto”.

Pensei então que não tinha nada para escrever, na verdade. Passaram alguns dias e repensei o assunto, afinal eu tinha, sim, o que escrever. Só não estava conseguindo. Quem nunca passou por bloqueio na hora de passar a ideia pro papel?! No fim, decidi que o que faltava para eu escrever isso aqui era um gancho. E o gancho surgiu. O fim da quinta temporada de House M.D. para mim e por que eu gosto taaanto dessa série.

Por quê eu gosto desse cara?

Por quê eu gosto desse cara?

Tudo começou com um teste que dizia definir a personalidade. Fiquei meio cético quando o Rafa me falou sobre ele e tal. Mas no fim, eu fiz o teste. E minha primeira reação foi surpresa. Fiquei realmente espantado com o resultado. Era como se eu estivesse lendo minha vida na tela.

O lance é baseado nos tipos psicológicos do psiquiatra suíço Carl Jung (amiguinho de Freud por um tempo). Eles dizem que toda pessoa tem um tipo de tendência que move seu estilo de vida: Extroversão (E) ou Introversão (I). A partir disso, duas psicólogas norte-americanas, Katharine Cook Briggs e Isabel Briggs Myers – mãe e filha -, criaram o sistema de identificação de personalidades MBTI, ou Myers-Briggs Type Indicator.

A teoria de mãe e filha aponta 16 tipos de personalidade. Além dos dois tipos de Jung, esse acrescenta mais seis: Sensorial (S) ou Intuição (N), Racional (T) ou Emocional (F) e Julgamento (J) ou Percepção (P). Respondendo a algumas perguntas você consegue definir que tipo de temperamento tem. Respondi as sessenta e poucas perguntas e me apareceu ISTJ na tela, seguido de um texto explicando toda a minha vida.

Você é uma pessoa tranquila e reservada, que preza por segurança e paz. Você tem um forte senso de dever, que lhe dá um “ar sério” e a motivação de cumprir tarefas. Você também tem um senso de humor meio descompassado, podendo ser uma pessoa muito divertida – especialmente em festas ou encontros.

Organizado e metódico ao fazer as coisas, você geralmente consegue cumprir qualquer atividade ou tarefa que assumir. […] Se você não desenvolver seu lado intuitivo o suficiente, pode acabar ficando obcecado com estrutura, insistindo em fazer coisas seguindo as regras e os procedimentos.

[…] Você é extremamente confiável, fielmente cumprindo o que se compromete a fazer. Por essa razão as pessoas têm uma tendência a empilhar mais e mais trabalho “nas suas costas”.

[…] Você pode trabalhar por longos períodos e gastar bastante energia em qualquer coisa que você acha importante, mas resistirá e não se esforçará se a tarefa não fizer sentido para você, ou se você não puder enxergar nela uma aplicação prática. Você prefere trabalhar sozinho.

[…] Você pode ter dificuldade em entender uma teoria ou uma ideia que seja de uma perspectiva diferente da sua. Porém, se alguém a quem você respeita ou com quem você se importa consegue lhe mostrar a importância ou a relevância dessa teoria ou ideia, ela se torna um fato que você irá internalizar e apoiar. […] Em situações de estresse você pode acabar entrando num “modo-catástrofe”, em que você não enxerga nada além de todas as possibilidades de coisas que podem dar errado.

[…] É provável que você se sinta desconfortável expressando afeto e emoções na frente de outras pessoas. Você se importa muito profundamente com aqueles próximos a você, apesar de você normalmente não se sentir confortável em expressar este amor. Na verdade você prefere expressar seu afeto através de ações, ao invés de que através de palavras. […] Você é uma pessoa capaz, lógica, racional, eficaz, e com um desejo profundo de promover a segurança e a paz.

Isso, mais todas as coisas que meus amigos e familiares falam e todo o resto que tenho de conhecimento próprio me fez parar para pensar numa coisa estranha: eu gosto de assistir House porque eu me pareço com ele, sinto afinidade com a vida dele. Claro que o seriado também é ótimo e tudo mais. Isso me deixou meio chateado, afinal a vida do Dr. Gregory House não pode ser considerada um exemplo.

Para quem não o conhece, Greg (só para os íntimos) é um irônico-sarcástico-ranzinza-filho-da-puta-arrogante que tenta controlar tudo o que acontece a seu redor. Ele manipula e sacaneia os médicos que trabalham com ele, tenta saber da vida de todo mundo e dar uma explicação para tudo.

Só que ele é intocável. Sua vida é um segredo, seus motivos são inexplicáveis e os outros são insignificantes. Obviamente ele tem um lado bom – salva pessoas com um diagnóstico complicado e que já foram abandonadas por outros médicos. E obviamente, eu não sou tão parecido assim com ele.

Também tenho uma consciência, mas é interna

Também tenho uma consciência, mas é interna

Mas a questão é: em alguns momentos eu tenho esse lado arrogante dono-do-mundo do House. Irônico e sarcástico eu sou em tempo integral faz algum tempo. Ranzinza, segundo minha mãe, eu sou desde que nasci. E como está no texto acima, tenho sérias dificuldades de expressar sentimentos (não sei se isso chega a ser ruim) como o sr. viciado em Vicodim.

Então suponho que foi por isso que, quando eu assisti um episódio desse ser manco andando para lá e para cá, sendo grosso e fazendo piadas infames nos corredores de um hospital, eu fiquei apaixonado.

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Jornalismo com ou sem diploma?

quinta-feira, 18th *.* junho, 2009

Bem sei eu que váaaarios blogs vão fazer posts sobre isso nesse resto de semana (e talvez até por mais tempo). Só que o que seria do meu blog se eu não escrevesse sobre o que me dá vontade? E o que me interessa? Então, sim, vou falar sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão.

O meu foi caro

O meu foi caro

O Supremo Tribunal Federal (STF), a casa mor da Justiça brasileira, demorou anos para colocar o assunto em pauta. Daí cancelaram a votação algumas vezes e, finalmente, os nossos 11 ministros que botam para quebrar votaram. Eles decidiram, por 8 votos a 1, que exigir diploma para um jornalista trabalhar seria inconstitucional. [Os ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito não participaram ou não votaram].

Discutimos o assunto na baia de estagiários e meio que ninguém tava nem aí pra isso. O único problema disso tudo é: eles resolveram decidir isso seis meses antes de nós, os trabalhadores da 63, nos formarmos. Agora temos que terminar um TCC que sabemos não ser necessário para a nossa profissão. Afinal, como disse a Ana Freitas, “quem é jornalista nasce”.

O mais legal da sessão foi quando o Carlos Ayres Britto, que também cuida do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comparou os jornalistas aos chefes de cozinha.

“Um excelente chefe de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”. Nessa hora, eu e a Gi resolvemos abrir um restaurante e Ana será nossa assessora.

Jornalismo a là carte

Jornalismo à la carte

Mas em suma a questão é: a liberdade de imprensa é tão grande, segundo a Constituição, que seria ilegal exigir algo para que ela seja produzida. Logo, o decreto-lei de 1969 (época da repressão e ditadura) que obrigava o diploma não foi incluído na Constituição de 1988. Logo, assim como a Lei de Imprensa, essa ai também caiu.

O presidente do sindicato dos jornalistas do Rio acha que isso vai reduzir os salários e tirar todos os benefícios conquistados pela categoria, além de dar lugar a profissionais que não estudaram. Mas, pensa bem, será que as empresas sérias vão deixar um cara sem noção em jornalismo trabalhar para elas sem diploma? Ou só porque ele tem vai conseguir trabalhar?

Como falou o Carlos Ayres, o diploma vai comprovar que temos algo a mais, como em várias outras profissões, e que somos melhores que os que não tem. Prefiro pensar assim do que em um monte de dono de empresas mandando seus jornalistas competentes embora para contratar outros profissionais não formados só para gastar menos.

Afinal, os cerca de R$ 40 mil que eu gastei para fazer essa faculdade terão de ser reembolsados. Sendo o diploma obrigatório ou não, oras.

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Sobre sociedade, cultura e homossexualismo

sábado, 6th *.* junho, 2009

Li na sexta uma matéria relativamente velha, mas como era de uma revista ainda estava relativamente em dia: “A primeira família de duas mulheres“. Fala sobre um casal de mulheres – Carla e Michele – que conseguiu na Justiça o direito de registrar seus filhos, um casal de gêmeos, com o nome de ambas. Mas esse é só o segundo fator que chamou minha atenção (e o da Ana, que passou o link para mim e o resto da baia 63).

O fator que grita ali é o fato de Carla e Michele não se considerarem homossexuais. Ou gays. Ou qualquer outra palavra de definição que você queira colocar aqui. Justamente porque, para elas, essas definições não fazem sentido. E isso virou discussão entre os trabalhadores da baia 63. O assunto foi para a abscissa e todos expomos nossas opiniões.

Michele segurando a filha e Carla com o filho no colo

Michele segurando a filha e Carla com o filho no colo

E eu vou tentar explanar um pouco mais sobre aqui. As gurias lá do Sul, que conseguiram um marco no quesito sociedade, são psicanalistas. Logo, falar sobre o assunto com elas deve ter sido uma análise. Elas queriam ter uma família, como qualquer outra pessoa (acho). Mas o ponto que fica em destaque é que elas apenas querem ser normais. Ponto. E são normais.

O que acho que as moças lá de Santa Catarina dizem é que as pessoas se apaixonam e gostam de outras pessoas. Independentemente do sexo biológico que cada um tenha, o ser humano deveria gostar daquilo que o complemente e o faça feliz. E foi o que aconteceu com elas. Carla se apaixonou pelo o que Michele representava para ela, no caso, uma figura masculina.

Isso não quer dizer que Michele seja um homem, se vista como um homem ou viva se comportando como um homem porque ela gosta de mulheres. Nem que ela tenha um pênis e testículos. Siginifica que ela ganhou essa personalidade conforme foi crescendo, conforme foi sendo criada, e o que complementa isso e a faz feliz é a figura feminina que Carla representa.

“Quando [Michele] perfurou Carla com seu olhar na aula da faculdade, era uma mulher bonita, bem cuidada, mas dotada de uma postura e um magnetismo inscritos nas referências culturais como masculinos.”

De alguma forma elas não estão erradas, afinal, nos relacionamentos, nós buscamos por fatores que nos complementem e nos façam bem. Assim, nos apegamos aos nossos opostos. Porém, o que não nos deixa nos relacionar com pessoas do mesmo sexo, apesar de sermos felizes, é a nossa cultura.

Assim, o que elas querem mais ainda é conseguir anular esse sentimento de separação. Afinal, somo todos homo-sapiens e o que nos difere não é – nem nunca vai ser – nossa cor de pele ou nossa sexualidade, mas sim a nossa cultura e o que pensamos sobre. Porém, essa cultura de que homem nasceu para ficar com mulher está ficando antiquada e, aos poucos, está sendo mudada.

No fim, o que a Michele e a Carla nos ensina é saber refletir e aprender a conviver com o que se é. Eliane Brum, autora da matéria, fala isso e comenta a experiência que teve na coluna dela aqui.