Archive for the ‘Meleca Cultural’ Category

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Ah, as brigas de novela (e da TV)

quinta-feira, 13th *.* agosto, 2009

Dizem que não há nada melhor do que sacanagem, violência e desastre para atrair audiência na TV. Às vezes concordo com essa afirmativa, principalmente quando a cena em questão é bem feita. Dizem também que quando a audiência de uma novela está meio caída, é só colocar uma coisa ‘polêmica’ no meio e pronto. Subiu o Ibope de novo.

Semana passada estava vendo Caminho das Índias enquanto jantava e a cena final do capítulo me fez pular da cadeira. Literalmente. Não acompanho a novela fielmente, mas sei que a Ivone (Letícia Sabatella) é uma vagabunda psicopata e a Melissa (Christiane Torloni) é uma perua mimada. Mas nunca imaginaria Melissinha virando a mão na cara da outra e gritando “Vagabuuundaaaaa!”.

Na hora eu parei de comer e me endireitei e aguardei o tapa seguinte, mas daí veio a coisa mais vil que uma emissora pode fazer com o telespectador: acabar o episódio naquele trecho. Pelo menos a música de encerramento não é mais aquela que abre a novela. Pensei “terei de assistir o começo da novela amanhã”. Só que ‘amanhã’ era sábado e de sábado é sagrado fazer qualquer coisa exceto assistir novela. Então eu sai.

Mas com as maravilhas da internet, nada que o YouTube não pudesse resolver para mim e todas as pessoas sedentas por sangue que ficaram curiosas e não puderam ver os desdobramentos na sala de massagem do spa frequentado por Melissinha. Eu adorei a maneira como ela chutou, esbofeteou e empurrou a Ivone. O melhor foi o desfecho: “Porque eu seu ser phina, que-ri-da, mas também sei ser chave-de-cadeia”.

Imediatamente me veio na mente todas as vezes que as novelas colocaram o povo pra brigar e no dia seguinte não se comentava outra coisa no metrô, no trabalho, no colégio, no ônibus, na internet… Por isso fiz a minha listinha de todas as porradas que vi e me fizeram ficar como o gatinho lá em cima, e ao mesmo tempo feliz pela vilã estar levando na cara.

5 – Maria versus Soraya

É uma clássica mexicana, não tão boa quanto as brasileiras. Mas o único tabefe que a Maria do Bairro dá na Soraya é tão bem dado que faz a vilãzinha rodar bonito. Recomendo esse vídeo sem áudio.

4 – Carlão ensina a Dóris

Em Mulheres Apaixonadas, Dóris era a menina má que maltratava os avós. Ela era uma mal humorada que reclamava da vida e das dificuldades, mas no fim seu pai lhe deu uma lição que deve ter marcado de um jeito…

3 – Vingança pela filha

Maria do Carmo resistiu a novela praticamente inteira. Mas a loira gossssstosa, Nazaret Tedesco, também levou as suas borduadas. Senhora do Destino ainda tá sendo reprisada. Corre que dá tempo de ver.

2 – Celebrity DeathMatch

Maria Clara Diniz foi a mocinha sem sal por boa parte de Celebridades. Mas daí a Laura foi e tomou o poder e a fama dela, que não gostou. Para sair por cima, mesmo que desconhecida e pobre, Maria Clara fechou um banheiro e deu tapa até ficar com a mão roxa (ou pelo estrago que ela fez na cara da outra, deveria ter ficado).

1 – Madame chave de cadeia

Acho que dispensa maiores explicações. Hare baba


0 – Bônus jornalístico

E se você, assim como eu, cansou de ver briga em novela e quer ver uma coisa mais real… jornalística digamos assim… pode dar uma olhada nos dois vídeos abaixo, com a briga entre a Globo e a Record.

O ‘ataque’.

O ‘contra-ataque’

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A trilha sonora de livros

terça-feira, 21st *.* julho, 2009

Sempre gostei muito de música. Assim como desde meus 13 anos sempre gostei de ler. Então sempre juntei o útil ao agradável e costumo ‘praticar’ os dois juntos, principalmente depois que eu comprei meu primeiro MP3 Player (muito caro na época) e comecei a usar o [irônico] melhor  do transporte público paulistano[/irônico].

Como nosso cérebro trabalha de um jeito meio engraçado, o meu começou a associar as músicas que eu escutava aos livros que eu lia. Como tenho períodos musicais, cada época em que vivo e tudo aquilo que eu sinto se reflete no que escuto.

Por isso, a maior parte dos livros são realmente como filmes para mim, pois ganham até a trilha sonora (só ficam faltando os efeitos especiais, mas meu cérebro dá conta do recado). Daí eu fiz uma listinha com as duplas que mais ficaram na minha memória:

1 – Os mais amados

Alanis-Jagged-Little-Pil_Harry-Potter-livros

Comecei a ler Harry Potter lá por 2004. Logo em seguida, a Alanis Morissette lançou uma versão acústica do Jagged Little Pill, em comemoração aos 10 anos de sucesso do seu primeiro CD. Nessa época estava lendo O Prisioneiro de Azkaban e as músicas, baladinhas, fixaram. Não tem como escutar essa versão do álbum sem lembrar dos livros, e vice-versa.

2 – Rock, rock and rock

Nirvana_Kurt-Cobain_livro

Acho que esse não precisa de explicações. Não tinha como ler Mais Pesado que o Céu sem escutar Nirvana. Quando peguei essa biografia do Kurt Cobain, vocalista da banda, com a Key [ainda não devolvi] eu tinha o álbum Unplugged e a coletânea You Knou, You’re Right. Hipnotizante. É meio que uma biografia da melhor banda grunge de todos os tempos.

3 – Morte e pop

BritneySpears-Blackout_Dalia-Negra

Comprei Dália Negra porque adoro romances policiais, com suspense e muito sangue. Nessa época Britney estava louca mas tinha que gravar um álbum. Com a batida de Blackout, eu li esse em duas semanas, acho. Ooh ooh Baby e Radar sempre trazem a mulher com um sorriso de orelha a orelha retratada por James Ellroy à minha mente.

4 – Aristocracia francesa + Reino Unido

Snow-Patrol_Rainha-Margot

Todas as guerrinhas políticas e intrigas desse outro clássico de Alexandre Dumas foram muito bem acompanhadas do rock britânico do Snow Patrol. O CD foi presente de aniversário do Alisson, em 2007. A origem do A Rainha Margot eu prefiro não comentar. Depois, quando vi Maria Antonieta dirigido por Sofia Coppola, lembrei dessa dupla.

5 – Versão de Jesus deprimente

evanescence_Segredo-do-Anel

Sou fã do Evanescence desde que vi Bring me to Life na MTV. Tipo, amor à primeira vista. Quando vi O Segredo do Anel na livraria foi a mesma coisa. Olhei e falei para o Alisson “Acho que esse livro é interessante. Tenho vontade de ler sobre o assunto”. Ganhei como presente de Natal. Realmente adorei, tem uma cadência e uma fluência que acompanharam a voz doce da Amy Lee. O livro é um romance sobre como viveram Maria Madalena, Jesus Cristo e seus filhos.

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Quando um comercial é bom

terça-feira, 14th *.* julho, 2009

Sempre gostei de ver propagandas. Okay que alguns comerciais não merecem ser vistos por ninguém, mas tem outros que me deixam de boca aberta na frente da TV. Os motivos para não me fazer zapear pelos canais durante uma propaganda são os mais diversos: produto que me interessa; ideia do comercial boa; imagem interessante, propaganda que não parece propaganda…

Hoje eu estava no trabalho, na minha sala com sete TVs (morram de inveja), quando vi um desses comerciais. Fiquei de boca aberta e intrigado, porque o comercial era interessantíssimo e porque no fim nem parecia um comercial. Não havia aquela tentativa explícita de ‘produto’ nem de ‘venda’, mas obviamente eles estavam lá.

O comercial era simplesmente um vídeo, com uma música suave, e mais nada. No fim a tela fica preta e aparecem as palavras “Inhotim. Impressionante.”. Fiquei realmente impressionado. Na mesma hora dei um Google e encontrei tudo o que precisava saber. Dá uma olhada no vídeo (em HQ é mais legal!):

E aí? O que vocês acham que é o tal do Inhotim? A última coisa que eu imaginaria é que o Instituto Inhotim seria um museu. Fica em Brumadinho, uma cidade a 60 km de Belo Horizonte, e tem um acervo de 500 obras que vai de pinturas e esculturas à vídeos e instalações. Só que o “impressionante” é onde fica o museu.

As galerias de arte ficam espalhadas por um imenso jardim botânico (45 hectares) e tudo isso fica dentro de uma área de preservação de 600 hectares. Só para lembrar, um hectare tem mais ou menos a mesma área que um campo de futebol. Nesse  parque há vários jardins paisagísticos (obras de arte também), inclusive alguns feitos por Roberto Burle Marx, mestre no assunto. Vale lembrar que algumas das obras, em grande escala, estão nos jardins (tem umas duas que aparecem no vídeo).

Foto: Marcus Friche

Um dos jardins. Foto: Marcus Friche

E tudo isso eu descobri por causa de um vídeo-propaganda instigante. Por falar no vídeo, voltemos a ele. A propaganda foi criada pela agência Filadélfia Comunicação, produzida pela Zeppelin Filmes e dirigida por Carlos Manga Jr. Foram três dias de filmagem, com mais de 800 pessoas no elenco. Os locais de filmagem foram a Praça Sete, o Mercado Central, o viaduto do Minas Shopping e outros locais de BH, até a chegada ao Inhotim.

A base do filme foi uma tal de Síndrome de Sthendal, uma doença que faz a pessoa ter aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e até desmaio quando exposta a obras arte. Há! entenderam?! Animal, né?! Eu achei. Enfim, uma boa propaganda para um produto ótimo. Quando eu for a BH farei uma visita a esse museu. Certeza.

Outras informações sobre o Inhotim:
Instituto Inhotim
De repente, 30

Update – encontrei esse link de um jornal mineiro: “Além da CPI do Senado, o MPF também investigará Inhotim, que tem toda sua manutenção financiada pela Petrobras

O senador José Nery (Psol-PA) mostrou-se indignado com o fato da Petrobras Distribuidora patrocinar o projeto “Manutenção do Inhotim – Plano Anual de Atividades”, que consiste no pagamento das despesas com a manutenção permanente do espaço. […] “figuram na lista dos administradores da ONG pessoas conhecidas no meio da corrupção e desvio de dinheiro público, como do senhor Cristiano Paz”, disse o senador.

Cristiano foi sócio de Marcos Valério e é irmão do presidente de Inhotim. Ele foi denunciado e processado pela Procuradoria da República no caso mensalão. Bom saber, não é mesmo!

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O holocausto na visão de um garoto

segunda-feira, 6th *.* julho, 2009

Semana passada fiz uma sessão de filmes aqui em casa (graças ao meu irmão) de um jeito que eu não fazia há pelo menos um ano. Tava com saudade até de pegar vários DVDs e sentar no sofá durante o fim de semana e assistir até dormir. Na leva de filmes que estavam aqui em casa veio dois em particular que eu sempre ouvi falar muito e, por isso, estava com muita vontade de ver: Sweeney Todd, com o camaleônico Johnny Depp, e O Menino do Pijama Listrado, baseado num livro homônimo de John Boyne.

O olhar dele é expressivo

O olhar dele é expressivo

O primeiro eu já conhecia a história por cima e tudo mais, por isso foi uma sessão normalzinha. Obviamente, Tim Burton fez, como sempre, um trabalho de mestre com essa adaptação e o filme ficou ótimo. Mesmo. E assumo que Helena Bonham Carter também é ótima atriz, e parece que realmente nasceu para interpretar com o Johnny.

Já o segundo filme foi extremamente surpreendente. Eu apenas sabia que era um drama locado no período da 2ª Guerra Mundial e que falava sobre o holocausto. Até aí, pensei que era um filmezinho em que alguém morre (acertei aqui) e afeta a história de muita gente (aqui eu acertei mais ou menos). O melhor desse longa, obviamente, é a fotografia. E a simplicidade.

A história [bem sintetizada] é a seguinte: uma família alemã, cujo pai é um militar das forças nazistas, que precisa se mudar de Berlim para Auschwitz onde tem um campo de concentração de judeus. Sob a condição de que viverão longe o bastante, a mãe concorda. Só que chegando lá, o campo nem é tão longe assim e o filho do casal vê o local da janela do quarto.

Planos com listras, muitas listras

Planos com listras, muitas listras

Fazendo expedições, o molequinho de 8 anos acaba chegando na parte de trás do campo, e encontra um molequinho judeu da mesma idade. E eles ficam amigos. Aí os ‘problemas’ começam a surgir, e uma coisa vai levando a outra. Até que o filme acaba e você tá com vontade de chorar. É um drama como pouquíssimos eu já assisti.

Mas a “moral da história” que fica para mim é: o quê nossa ignorância (no sentido verdadeiro da palavra) pode causar na nossa vida; o quantos nossos ideais podem não valer nada se não tivermos coragem de fazê-los acontecer; até onde vale mentir para ‘proteger’ alguém que gostamos; e que crianças são os melhores seres humanos, em todos os sentidos.

No making-off, alguém da produção também explica que as listras não são exploradas só nos pijamas mas também em quase todos os planos da sequência, que elas fazem parte da história toda. Por isso, como leigo no assunto, acho que a fotografia desse filme é perfeita. Dá uma olhada no trailer aí:

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Arte ‘quadrada’ é cubismo!

sexta-feira, 3rd *.* julho, 2009

Sempre gostei de cubismo. É um dos meus poucos estilos artísticos favoritos. Gosto porque qualquer coisa fica ‘quadrada’ na visão desses artistas, meio lego, sabe?! Gosto também porque o espanhol Pablo Picasso foi o precursor desse tipo de arte. O cara sempre fez as coisas surpreendentemente diferentes e seu sucesso se deu por causa disso. Gosto dele por isso, assim como gosto de Pierre Renoir pelos quadros ‘borrados’ e do Edgar Degas pelas bailarinas.

Quadrado e morto, mas colorido

Quadrado e morto, mas colorido

Mas a arte não vive só do passado. E o tio Picasso influenciou muita gente, assim como foi influenciado pela arte africana para dar inicio ao movimento cubista (as aulas do Warde eram boas). Por isso, uma dica. Abriu ontem à noite uma exposição no Espaço Cultural CRC de São Paulo com a mostra “Reflexão Cubista”, de Henri Carrières, um francês que, aos 5 anos, se mudou para o Brasil, em 1952.

Sua especialidade é natureza morta. Então ele transforma tudo quando é tipo de coisa (exceto as vivas, óbvio) em quadro. A exposição vai até o fim do mês e é de graça. Vale a pena, viu. Pena que só abre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h (só para quem estiver de férias ou de folga). O espaço Cultural CRC fica na Rua Rosa e Silva, 60, em Higienópolis. Pertinho da estação Marechal Deodoro (linha vermelha).

Outras informações no (11) 3824-5433