Posts Tagged ‘diversão’

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Diferenças sutis entre homens e mulheres

terça-feira, 16th *.* junho, 2009

Existem umas diferenças bem sutis no comportamento masculino e feminino. Daí, a cerveja Goldstar, de marca israelense, resolveu fazer uma campanha engraçadinha sobre essas diferenças. A coisa toda é bem ilustrativa e simples. Clica pra aumentar:

Homens e Mulheres 2Bebida e relacionamento

Homens e MulheresRoupas e bebidas

HomemMulher3Bebida e necessidades fisiológicas

E por mais que soe machista ou qualquer outra coisa que os politicamente corretos possam dizer, eu ri muito da ideia e gostei demais da propaganda. Inclusive, concordei com a ideia geral. E a propaganda é meio velhinha.

Gi que me mostrou isso lá no Tipo Isso.

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Histórias em família

terça-feira, 26th *.* maio, 2009

Quando uma família inteira se junta sempre tem aquelas rodas de histórias. Pelo menos é assim na minha família. Não teve uma única vez em que fui para Curitiba e, sei lá, no fim de semana todos os tios e tias estivessem na casa dos meus avós, tomando café e falando terrivelmente alto as histórias mais bizarras da família pré-casamentos.

Esses contos de recordação vão desde as coisas que um cachorro que vivia na roça fazia até um rodeio frustrado. Logicamente, as histórias dos meus pais e tios parecem beeem mais legais que as minhas. Não sei por quê. Mas tem uma história que eu presenciei no auge na minha infância que faz páreo com todas as outras. E ela é uma das que quase sempre são contadas. Vocês já vão descobrir o motivo.

Minha memória não é tão boa, logo não lembro o dia nem o ano do acontecimento. Sei que era um dia meio frio e que tinha uma neblina lascada. Pois bem, um daqueles parques de diversão itinerantes que passam por todas as periferias de todas as cidades estava aqui perto de casa. Nessa época a segurança parecia um pouco melhor e as crianças não morriam nesses parquinhos com tanta frequencia. Ou eu não lia tantas notícias na época.

O mais legal desse parque é que ele tinha um bônus: vinha com um rodeio, desses parecidos com os de Jaguariúna e Barretos, de grátis. Só que esse rodeio acabou custando mais caro do que o esperado por mim, meus pais e meu irmão. O parque-rodeio estava instalado num campo de futebol desses de várzea, fator muito importante para toda a história.

Bem parecido!

Bem parecido!

Depois de muita encheção de saco minha e do mano, os papais pegaram a VW Brasília marrom, ano 76, e fomos felizes para o parque lá pelas 19h. Chegamos lá e estacionamos o carro perto de um poste e entramos em campo. Fomos no carrinho de bate-bate [curto muito] e no chapéu mexicano; comemos pipoca e cansamos.

Mamãe teve a ideia de ir ver o rodeio então, já que não estávamos fazendo nada. Meu irmão disse não, bateu o pé e ganhou a carta de alforria: ingressos para ir se divertir sozinho no parque. Eu fiquei puto da vida, mas era o caçula e tinha que ficar perto da mamãe. Fomos para a grade ver alguém tentar laçar o boi. Mas aí a história fica legal.

Estávamos distraídos, vendo e ouvindo o locutor narrar aquela partida de futebol louca tentativa de o cowboy pegar um boi meio caquético, um bezerro meio crescido. Minha mãe sempre foi neurótica, como a maior parte das mães comuns, imagino eu. E num desses momentos neurose dela resolveram soltar uma bomba, o que a cabeça dela decidiu decodificar como um tiro.

Daí em diante ocorreu a maior sucessão de desastres da minha vida em menos de uma hora. Ela virou para o meu pai e disse “Isso é tiro. Pega o Rômulo!” e me agarrou pelo braço e começou a correr em direção à avenida e ao carro. Assistindo Carga Pesada depois, eu diria que a dona Eva poderia ter dito “É cilada Bino”.

Nunca tinha visto minha mãe correr tanto quanto naquela noite. Corríamos como se o Touro Bandido, da novela América, estivesse atrás da gente, louco e raivoso.

Ué, mas não era?!

Ué, mas não era?!

Lembra que eu disse no começo do post que estava uma neblina nesse dia, quase uma garoa? E que era um campo de futebol de várzea? Então, juntos esses dois fatores criaram um problema: lama. Minha mãe escorregou numa parte do campo e foi pro chão. E eu fui junto.

Nós dois não contávamos com uma coisa: que todas as outras pessoas iriam dar ouvidos ao que ela disse. Quando eu olhei para trás não tinha um touro, mas centenas de pessoas correndo desenfreadamente. E a gente estava no chão.

Foi cena de filme. A carteira dela escorregou da mão e alguém passou e chutou. “Minhaaa carteeeiraaaaaaaa!” O infeliz que tinha chutado e passado por cima de nós dois gritou lá na frente “Desculpa tia”, enquanto várias outras pessoas passavam loucamente. O narrador também ouviu minha mãe e falava no microfone “Volta pessoal, volta. Não foi tiro; era uma bombinha”.

Que nada. Ninguém escutou o que ele disse. Minha mãe, com o seu poder persuasivo, fechou o rodeio e o parque de diversões. Se tivesse sido tiroteio, eu e minha família, apesar da agilidade, teríamos morrido. Eu estava chorando a essa altura. Nem brinquei direito, fui pisoteado e estava todo sujo. Meu pai tinha conseguido encontrar meu irmão e eles estavam do outro lado da avenida já, intactos e limpos.

Mas a aventura não acabou por aí. Quando chegamos na Brazuca Marrom eis que encontramos uma charrete com um cavalo preso ao poste. Meu pai deu partida no carro e começou a sair quando percebeu que a charrete estava acompanhando, e o cavalo vindo junto, de marcha à ré. O animal havia dado ré na charrete, mais cedo, e o parafuso e a porca do veículo agrícola simplesmente entraram na grade da Brasília. E não tinha quem tirasse eles de lá.

Meu pai, bufando, começou a procurar o dono daquele treco. Encontrou um ser bêbado a uns 150 metros, perto de uma padaria. Quando o cara conseguiu chegar perto do poste – ele demorou muito tempo – ainda reclamou. “Poxa, esse carro tinha de estar aqui?” Meu pai quase pulou no pescoço dele, mas manteve a paciência. No fim, o bêbado só atrapalhou e depois de uma meia hora o cavalo fez um movimento mirabolante e o parafuso saiu da grade do carro.

Quando tudo isso acabou já eram umas 23h. O lugar estava sinistro: tudo escuro, aquela neblina, a avenida e o campo vazios. Eu, meus pais, meu irmão e a Brasília, um bêbado, seu cavalo e a charrete era tudo o que sobrava naquele lugar. Foi uma experiência traumatizante. Nunca mais fui em rodeios, mas ainda arrisco os parques de diversões [mas não os itinerantes].

Essa história já foi contada diversas vezes para a família, para os amigos e quase virou um Retrato Falado, mas minha mãe não quis mandar a carta. Daí resolvi espalhar ela por aqui mesmo.