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O que se faz para ter dinheiro

terça-feira, 2nd *.* junho, 2009

No nosso mundo capitalista existem as mais variadas formas de se conseguir dinheiro. As mais comuns, atualmente, são:

1) trabalhando
2) roubando
3) tentando ajudar um grupo de bolivianos dentro do metrô.

No meu fim de semana bombado, eu presenciei os três tipos.

Saí no sábado à noite para ver os amigos, sociabilizar, beber um pouco e dançar. Então vi centenas de pessoas trabalhando: o motorista do ônibus que me levou, o garçom do bar onde eu bebi e a chapeleira da balada onde eu fui. Presenciei ao menos um roubo, diga-se de passagem, o meu próprio. Mas como sou pobre, o meliante ficou com dó: só tinha R$ 7,00 no meu bolso. O indivíduo não queria cartões e celulares. “Só dinheiro, mano”. Ele era exigente.

Não tinha nem <i>fintchi reais</i> como a Vanessão

Não tinha nem fintchi reais como o Vanessão

E na volta disso tudo, vi a coisa mais bizarra do mundo. Estava no metrô, sentadinho, na janelinha, com soninho e um pouco de ressaquinha já, quando uma família de jovens bolivianos entrou no vagão, todos com cara de que também estavam na mesma situação que eu. Dois deles estavam um pouco piores.

Vai, eles estavam bem ruins mesmo, tanto que um deles estava de pé só porque abraçou o apoio do vagão. Pois bem, em dado momento surgiu um banco vazio e ele foi com toda a vontade em direção a ele. Acho que a mulher que estava no assento ao lado ficou com medo da fúria de que ele foi em direção ao banco.

Só que ele não estava bom o bastante e fez aquilo que eu fiz em alguns posts atrás. As duas garotas que o acompanhavam olharam com nojo para ele e depois desataram a rir. Fiquei com certa pena dele e agradeci pelas amigas que tenho e que me acompanham nas bebedeiras.

Mas isso tudo que eu contei não é coisa mais bizarra que aconteceu no meu fim de semana. Depois de vomitar, ser motivo de zoação e perder a companheira desconhecida de banco, o colega boliviano-bêbado-semi-desmaiado ganhou a ajuda de uma senhora. Num primeiro momento pensei que fosse uma tiazinha simplesmente querendo ajudar, mas não era isso.

Como estava a uma certa distância e sou míope, alguns detalhes podem estar distorcidos. Ela se aproximou do grupo e começou a falar um portunhol perfeito. “No. Pegue isto aca. Estoy ajudando, ele vai mejorar”. A companheira do bêbado apenas negava com a cabeça. Mas a hermana brasileña era insistente. “De onde vocês são? Argentina?”. Nessa hora euri.

“Ele és su marido?” A garota que estava com o boliviano negou mais uma vez e dessa vez abriu a boca: “No, no. Somos hermanos”. A brasileña continuou insistindo em entregar aquilo que estava na mão dela para eles, mas eles negaram veementemente. Daí chegou a estação deles e todos os cinco saíram do vagão. Depois voltaram correndo para pegar o sexto que ficou caído no banco.

Mas como eu disse, as pessoas sempre têm uma forma de conseguir dinheiro nessa vida. Então a hermana brasileña veio andando pelo vagão do metrô e sentou ao lado de um homem que estava com cara de que tinha trabalhado a noite inteira. “Ai ai”, disse ela. Ele não tirou os olhos daquela tevêzinha furreca do metrô.

Para caracterizar nossa real personagem: Ela tinha um corte de cabelo à la Susan Boyle, sem os cachozinhos laterais, usava uma daquelas calças azuis com listra branca lateral (igual a da minha escola a 400 anos atrás), um tênis de marca não identificável e uma blusa de lã. Informação importante: ela tinha apenas quatro dentes visíveis.

Mais ou menos assim

Mais ou menos assim

Como ella és brasileña y no renuncia nunca continuou tentando puxar assunto com o estranho. Mas ele não caiu. “Estava tentando ajudar eles”, disse apontando para o outro lado do vagão. “Eu sempre tento ajudar os outros porque Jesus salvou minha vida”.

A brasileña explicou para o homem, que apenas balançava a cabeça relutantemente, que ela teve um problema na perna e os médicos queriam amputar. Nessa hora ela gritou “NÃO. Porque sangue de JESUS tem poder. Ele vai me salvar”. Nessa hora eu quase chorei, afinal, quase ninguém confia plenamente em Jesus dessa maneira estava morrendo de rir.

No fim, ela não autorizou a cirurgia e a perna dela tá boazinha. Ela inclusive levantou a calça para mostrar. Esse diálogo-monólogo com o cara do metrô durou umas cinco estações. Ela desceu em Arthur Alvim, mas não sem antes tirar o anel do dedo e falar para seu companheiro de conversa “Você não quer esse anel? Te dou por R$ 1,00”.

Nesse dia ela deve ter ficado triste por não conseguir vender seu anel, nem entregar sua “ajuda” ao bolivianos (acho que ela queria uma taxa pelo help) e nem convencer ninguém que Jesus salvou a perna dela. Quer dizer, pelo menos não me convenceu.

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Relação entre álcool e amizade

terça-feira, 19th *.* maio, 2009

Há quem odeie as bebidas alcoólicas com todas as forças possíveis. Assim como têm aqueles que não suportam cigarros. Não recrimino nenhum dos dois tipos de pessoas que são assim. Já fui uma delas, sou e sempre vou ser, acho. Mas em alguns momentos simplesmente me deixo levar por esses prazeres, da mesma maneira que me deixo comer batatas fritas, salgadinhos, refrigerantes e outras porcarias mais.

Essas são algumas coisas que fazem mal, que eu sei que fazem mal, mas mesmo assim não ligo. Sou bem mais aceitável com o álcool do que com a nicotina. E explico o por quê. Só porque todas as vezes em que me diverti com os amigos havia a influência da amiga “catcha”. Não que eu e meus amigos sejamos alcoólatras (pelo menos alguns), mas é que esse é um meio de sociabilização. O cigarro nunca me permitiu isso, por isso não sou tão fã dele.

Obviamente odeio exagerar. Odeio por motivos simples:

– Às vezes dá vontade de vomitar, ou simplesmente faz a gente vomitar;
– na maioria das vezes dá uma ressaca, ô coisinha chata;
– e eu lembro de tudo.

Sim, eu lembro de tudo mesmo. Cada podre que eu faço quando fiquei extremamente bêbado eu lembro. É por isso que eu não acredito naquele papo de bêbado culpado que não lembra de nada do que fez. Mas acredito em outra coisa: na nossa capacidade cerebral de facilitar o esquecimento daquelas coisas que são desagradáveis para nossa vida. Ana Freitas explica melhor isso aqui.

Foi em rodas de bar, boates ou festas regadas a CH3CH2OH, ou seja, etanol, que tive as melhores conversas com as pessoas que eu conheço. São nesses locais que você descobre como cada pessoa funciona realmente, sem máscaras, sem receios, sem falsidades. Isso porque, segundo o centro de informações sobre drogas psicotrópicas da Unifesp, o tal do álcool etílico afeta uma zona do cérebro responsável pelo auto-controle. Também diz que atua na área responsável pela memória, mas eu ainda não acredito muito.

Prefiro a última fórmula

Prefiro a última fórmula

E foi numa festa dessas que eu dei um quase PT. O primeiro da minha vida. Uma coisa que eu tinha prometido para mim mesmo, aos 14 anos, que nunca ia deixar acontecer. Foi no dia que o Brasil foi pentacampeão da Copa do Mundo, lá no Oriente.

Naquele dia, para comemorar o futebol, teve churrasco aqui em casa. E, claro, tinha álcool. Meu papai estava responsável pela churrasqueira e, teoricamente, não deveria beber. Porém, os “amigos” dele fizeram uma daquelas brincadeiras que o gargalo da bebida passa de boca em boca (bem anti-higiênico) e, em determinado momento, eu vi um desses amigos virando a garrafa na boca do meu pai.

Okay, o homem da casa não tem um histórico de vida sem álcool e ele facilitou a brincadeira. Mas condeno todos e cada um daqueles seres responsáveis por trazerem as garrafas dos destilados pro meu quintal (até então, a festa tinha cerveja) e por viraram a garrafa na boca do meu pai.

Naquele dia, o seu Carlos deu PT e ficou jogado no chão do banheiro. Eu limpei o vômito dele, eu dei banho gelado nele e eu fiz o café sem açúcar para ele. Junto com meu irmão e minha mãe. E ainda o escutamos dizer “Ninguém me ama”. Os “amigos” dele simplesmente foram embora, afinal, não tinha mais churrasco porque o responsável não estava bem.

Foi no dia 30 de junho de 2002 que eu peguei todas as garrafas do bar da sala de casa e virei na pia da cozinha. Foi nesse dia que eu falei que não ia fazer isso nunca. Mas eu só tinha 14 anos e não sabia do peso que tinha essa promessa e esse “nunca” que eu havia dito para mim mesmo.

Quase sete anos depois, eu estava numa festa à fantasia todo de branco, vestido de exu anjo, com asas muito fofas e brancas. Foi um semi-presente de aniversário que eu recebi da Thaís e da Patrícia, amigas da faculdade (eu ia ganhar mais um da patota inteira). O melhor da festa, além do mico das fantasias, é que era open bar. Ou seja, eu enchi o caneco.

Só que sou moderado. Então tinha seguido todos os conselhos dos amigos: me alimentei bem antes e não misturei nenhuma bebida. Naquele dia não tinha cerveja ou vinho que me tirasse do caminho da Vodka, com seus 40% de etanol (para fazer o motor funcionar bem) e 462 Kcal por copo. Uau, engorda.

Foram algumas caipirinhas e alguns copos só com o gelo de acompanhamento. Dancei com uma enfermeira, tirei foto com uma hippie, desci até o chão com uma policial e queimei com cigarro minhas amigas Marinheira (Thaís) e Meretriz (Patrícia). Imitei um paquito e uma go go girl dançando. Eu definitivamente perdi o rumo. Até papel higiênico da fantasia de ‘casinha’ eu tirei.

Depois disso, subi para o andar de cima, sentei numa cadeira ao lado do Super 15 e pensei “Minha cabeça tá pesada (mais que o comum)” e encostei a bendita gigante na mesa. Pronto. Nesse momento meu cérebro mandou sinais para o meu estômago, que os aceitou de maneira calorosa. Foi o tempo de os músculos das minhas pernas se alertarem e abrirem.

Blergh

Blergh

Fiquei assim, por um bom tempo. Acho que por quase duas horas. O Super 15 estava malzão também. Acho que ele não fez nenhuma promoção no dia seguinte. Minhas amigas foram amigas de verdade. Diferente dos “amigos” do meu pai, elas cuidaram de mim. Jogaram água na minha cabeça, compraram sorvete e me aturaram bêbado, várias vezes mais chato do que já sou naturalmente. A Patrícia até tirou minhas asas para eu vomitar melhor.

Nesse dia a promessa de novo, mas de uma maneira diferente. Agora vou me controlar, porque dar um PT daqueles não foi nada legal nem para mim nem para as pessoas que estavam comigo. Também vou dar mais valor ainda para os meus amigos, porque conviver comigo e ainda me ajudar bêbado mostrou que eles estão aptos a conviver o resto da vida. E o álcool ainda será bem vindo para sociabilizar, afinal, há milhares de anos ele tem cumprido esse papel na sociedade.

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Nascimento [Festa de Inauguração]

sábado, 16th *.* maio, 2009

Resolvi começar esse blog, finalmente. O projeto dele existe há cerca de seis meses, com tudo no rascunho. Mas fiquei com preguiça, porque é sempre bom atualizar com frequência, o que eu não poderia fazer. Mas daí eu resolvi começar, “por quê não?”. Mesmo sem atualizações frequentes.

Começei ele ontem, no dia do meu aniversário.
Por quê?
Porque eu estava com a mamãe e resolvi perguntar como tinha sido o dia 15 de maio de 1988, antes e depois de eu chegar ao nosso mundo. Acho que nunca tinha me perguntado isso, nem a ela. E fiquei surpreso. Dona Eva não sentiu dores.

“Como assim, mãe?! Era um parto e você não sentiu dores?”. E ela olhou para a janela (estávamos num ônibus), como se partos sem dores fossem as coisas mais comuns do mundo e disse “não”.

Pois bem, ela estava no 9º mês de gestação. Eu, apressado, tinha tentado sair algumas vezes antes, lá pelo 7º mês, e ela, como sempre, me impediu de fazer essas coisas sem noção. Ela disse que acordou, com o barrigão (era muito grande mesmo – depois coloco uma foto), e até as 14h teve um dia normal.

Mais ou menos nesse horário, ela se preparava para ir a uma convenção da nossa religião. Estava no quarto, em frente ao espelho, passando o batom. “Dai deu uma vontade de ir fazer xixi. Fui ao banheiro e fiquei muito tempo”. Um amigo da família, chara do papai, Carlos, foi buscá-la para levar à reunião. “Vamos mulher, a Zuleica (esposa dele) está esperando”.

Minha mãe tivera o primogênito da família, Rômulo, de parto cesariana, porque ele insistia em ficar na barriga. Não quis sair de jeito nenhum. Quando os médicos chegaram no útero, o encontraram roxo, com a corda o cordão umbilical enrolado no pescoço. Logo, a bolsa dela não havia rompido quatro anos e meio antes de eu querer nascer.

“Não sabia o que era aquilo”. Ela voltou para frente do espelho para terminar de se arrumar. O amigo entrou e acelerou mais minha mãe. Nisso ela já tinha ido ao banheiro várias outras vezes. “Acho que eu não vou mais. Não paro de ir ao banheiro, como vou poder participar da reunião desse jeito?” O Carlos deu uma luz para minha mãe: “Mulher, sua bolsa estourou. Seu moleque tá nascendo”.

Então, mamãe chamou papai, que chamou o vizinho com carro, o Vado, e fomos todos felizes para o hospital. Eu querendo nascer loucamente, afinal já fazia dois meses que minha primeira tentativa tinha sido frustrada. Ela explicou que não sentiu dores porque não teve tempo de ter contrações.

Quando chegou à maternidade, o Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, o médico mandou ela direto para a sala de cirurgia, afinal não fazia sentido fazer ela sofrer se não tinha abertura vaginal para passar meu cabeção. Isso porque ela tinha plano de saúde.

No hospital público Santa Marcelina, onde meu irmão nasceu, e também quase morreu, os médicos colocaram minha mãe no soro e mandaram ela esperar. Acho que meu brother não teve paciência e colocou o cordão no pescoço, para agilizar. Ele nasceu com os macetes para fazer as coisas públicas funcionarem. Na ‘malandrági’. E ela teve muitas dores, desnecessárias. Depois, fizeram o mesmo que os médicos do Assunção.

Então, às 20h41 do dia 15 de maio de 1988, o ano do dragão no zodíaco chinês, no signo de Touro no zodíaco astrológico, numa noite de domingo de outono, quando o Fantástico deveria estar começando, eu nasci. Puxaram meu cabeção da barriga e me bateram. Fizeram eu chorar e parar quando me encostaram na minha mãe. Mamãe estava meio dopada, mas disse que eu era “tãao lindo”

Como assim, mãe?! Eu não sou mais hoje? Enfim…

Foi assim que tudo começou, há 21 anos. Hoje, como Thaís me explicou, sou emancipado. Posso casar e ir preso, e me fuder de várias outras maneiras, sem ter que colocar meus pais no meio. E é assim que nasce meu Mundo: sem dores, sem remédios, sem médicos e sem o cabeção.

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Abaixo, o texto original de inauguração, guardados nos rascunhos do blog desde novembro.

Como o previsto, o meu Mundo foi inaugurado junto com o ano que começa. Mas há muito tempo que ele está funcionando, não a todo vapor, mas na medida do possível, para ganhar uma cara legal, de uma maneira quase perfeita (o que nem o autor é) e agradável.

Foram horas a fio, trabalhando (cerca de 16, divididas em dois meses e meio) para que meu mundo, na parte online mas sem o www, ganhasse vida. Quatro tentativas para criar um banner que eu gostasse e que não tivesse que pagar nem pelos direitos autorais ou para um especialista em arte (agradecimentos ao Mah). Escutei milhares de vezes o Gabriel dizer “só falta você e a Nina ter um [blog], aqui da baia”,  e vi a Ana concordar em silêncio, todas as vezes. Só falta a Nina.

Agora o que resta é colocar no papel na tela tudo que acontece nesse mundinho chato, sem graça e parado que roda loucamente. Meu olhos míopes e sem óculos (tá, as vezes eu uso) e meus ouvidos perfeitos (zumbem que é uma maravilha) trabalharão como nunca para captar tudo o que estiver ocorrendo ao meu redor.

Aqui, vai virar pauta uma imagem legal, uma conversa no trabalho, uma viagem de ônibus/metrô ou qualquer outra coisa que seja interessante. Qualquer coisa mesmo, até aquilo que você, leitor, pode não achar. Sorry! Ah, eu aceito sugestões de pauta aqui, tá. Mas tem de ser criativo e escrever em português (pode ser ainda com acentos, tremas e letras diferenciais). Se vier em español ou em english eu tento, mas só vou ler se for realmente bom [/exagerado].

E antes que eu esqueça, a Festa de Inauguração vai ser marcada para quando eu estiver de férias e o Mundo com bastante leitores, porque sem eles o que vai ser da comemoração e do blog, não é mesmo?!