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Sobre sociedade, cultura e homossexualismo

sábado, 6th *.* junho, 2009

Li na sexta uma matéria relativamente velha, mas como era de uma revista ainda estava relativamente em dia: “A primeira família de duas mulheres“. Fala sobre um casal de mulheres – Carla e Michele – que conseguiu na Justiça o direito de registrar seus filhos, um casal de gêmeos, com o nome de ambas. Mas esse é só o segundo fator que chamou minha atenção (e o da Ana, que passou o link para mim e o resto da baia 63).

O fator que grita ali é o fato de Carla e Michele não se considerarem homossexuais. Ou gays. Ou qualquer outra palavra de definição que você queira colocar aqui. Justamente porque, para elas, essas definições não fazem sentido. E isso virou discussão entre os trabalhadores da baia 63. O assunto foi para a abscissa e todos expomos nossas opiniões.

Michele segurando a filha e Carla com o filho no colo

Michele segurando a filha e Carla com o filho no colo

E eu vou tentar explanar um pouco mais sobre aqui. As gurias lá do Sul, que conseguiram um marco no quesito sociedade, são psicanalistas. Logo, falar sobre o assunto com elas deve ter sido uma análise. Elas queriam ter uma família, como qualquer outra pessoa (acho). Mas o ponto que fica em destaque é que elas apenas querem ser normais. Ponto. E são normais.

O que acho que as moças lá de Santa Catarina dizem é que as pessoas se apaixonam e gostam de outras pessoas. Independentemente do sexo biológico que cada um tenha, o ser humano deveria gostar daquilo que o complemente e o faça feliz. E foi o que aconteceu com elas. Carla se apaixonou pelo o que Michele representava para ela, no caso, uma figura masculina.

Isso não quer dizer que Michele seja um homem, se vista como um homem ou viva se comportando como um homem porque ela gosta de mulheres. Nem que ela tenha um pênis e testículos. Siginifica que ela ganhou essa personalidade conforme foi crescendo, conforme foi sendo criada, e o que complementa isso e a faz feliz é a figura feminina que Carla representa.

“Quando [Michele] perfurou Carla com seu olhar na aula da faculdade, era uma mulher bonita, bem cuidada, mas dotada de uma postura e um magnetismo inscritos nas referências culturais como masculinos.”

De alguma forma elas não estão erradas, afinal, nos relacionamentos, nós buscamos por fatores que nos complementem e nos façam bem. Assim, nos apegamos aos nossos opostos. Porém, o que não nos deixa nos relacionar com pessoas do mesmo sexo, apesar de sermos felizes, é a nossa cultura.

Assim, o que elas querem mais ainda é conseguir anular esse sentimento de separação. Afinal, somo todos homo-sapiens e o que nos difere não é – nem nunca vai ser – nossa cor de pele ou nossa sexualidade, mas sim a nossa cultura e o que pensamos sobre. Porém, essa cultura de que homem nasceu para ficar com mulher está ficando antiquada e, aos poucos, está sendo mudada.

No fim, o que a Michele e a Carla nos ensina é saber refletir e aprender a conviver com o que se é. Eliane Brum, autora da matéria, fala isso e comenta a experiência que teve na coluna dela aqui.

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