Posts Tagged ‘minha vida’

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Jornalismo com ou sem diploma?

quinta-feira, 18th *.* junho, 2009

Bem sei eu que váaaarios blogs vão fazer posts sobre isso nesse resto de semana (e talvez até por mais tempo). Só que o que seria do meu blog se eu não escrevesse sobre o que me dá vontade? E o que me interessa? Então, sim, vou falar sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão.

O meu foi caro

O meu foi caro

O Supremo Tribunal Federal (STF), a casa mor da Justiça brasileira, demorou anos para colocar o assunto em pauta. Daí cancelaram a votação algumas vezes e, finalmente, os nossos 11 ministros que botam para quebrar votaram. Eles decidiram, por 8 votos a 1, que exigir diploma para um jornalista trabalhar seria inconstitucional. [Os ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito não participaram ou não votaram].

Discutimos o assunto na baia de estagiários e meio que ninguém tava nem aí pra isso. O único problema disso tudo é: eles resolveram decidir isso seis meses antes de nós, os trabalhadores da 63, nos formarmos. Agora temos que terminar um TCC que sabemos não ser necessário para a nossa profissão. Afinal, como disse a Ana Freitas, “quem é jornalista nasce”.

O mais legal da sessão foi quando o Carlos Ayres Britto, que também cuida do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comparou os jornalistas aos chefes de cozinha.

“Um excelente chefe de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”. Nessa hora, eu e a Gi resolvemos abrir um restaurante e Ana será nossa assessora.

Jornalismo a là carte

Jornalismo à la carte

Mas em suma a questão é: a liberdade de imprensa é tão grande, segundo a Constituição, que seria ilegal exigir algo para que ela seja produzida. Logo, o decreto-lei de 1969 (época da repressão e ditadura) que obrigava o diploma não foi incluído na Constituição de 1988. Logo, assim como a Lei de Imprensa, essa ai também caiu.

O presidente do sindicato dos jornalistas do Rio acha que isso vai reduzir os salários e tirar todos os benefícios conquistados pela categoria, além de dar lugar a profissionais que não estudaram. Mas, pensa bem, será que as empresas sérias vão deixar um cara sem noção em jornalismo trabalhar para elas sem diploma? Ou só porque ele tem vai conseguir trabalhar?

Como falou o Carlos Ayres, o diploma vai comprovar que temos algo a mais, como em várias outras profissões, e que somos melhores que os que não tem. Prefiro pensar assim do que em um monte de dono de empresas mandando seus jornalistas competentes embora para contratar outros profissionais não formados só para gastar menos.

Afinal, os cerca de R$ 40 mil que eu gastei para fazer essa faculdade terão de ser reembolsados. Sendo o diploma obrigatório ou não, oras.

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Histórias em família

terça-feira, 26th *.* maio, 2009

Quando uma família inteira se junta sempre tem aquelas rodas de histórias. Pelo menos é assim na minha família. Não teve uma única vez em que fui para Curitiba e, sei lá, no fim de semana todos os tios e tias estivessem na casa dos meus avós, tomando café e falando terrivelmente alto as histórias mais bizarras da família pré-casamentos.

Esses contos de recordação vão desde as coisas que um cachorro que vivia na roça fazia até um rodeio frustrado. Logicamente, as histórias dos meus pais e tios parecem beeem mais legais que as minhas. Não sei por quê. Mas tem uma história que eu presenciei no auge na minha infância que faz páreo com todas as outras. E ela é uma das que quase sempre são contadas. Vocês já vão descobrir o motivo.

Minha memória não é tão boa, logo não lembro o dia nem o ano do acontecimento. Sei que era um dia meio frio e que tinha uma neblina lascada. Pois bem, um daqueles parques de diversão itinerantes que passam por todas as periferias de todas as cidades estava aqui perto de casa. Nessa época a segurança parecia um pouco melhor e as crianças não morriam nesses parquinhos com tanta frequencia. Ou eu não lia tantas notícias na época.

O mais legal desse parque é que ele tinha um bônus: vinha com um rodeio, desses parecidos com os de Jaguariúna e Barretos, de grátis. Só que esse rodeio acabou custando mais caro do que o esperado por mim, meus pais e meu irmão. O parque-rodeio estava instalado num campo de futebol desses de várzea, fator muito importante para toda a história.

Bem parecido!

Bem parecido!

Depois de muita encheção de saco minha e do mano, os papais pegaram a VW Brasília marrom, ano 76, e fomos felizes para o parque lá pelas 19h. Chegamos lá e estacionamos o carro perto de um poste e entramos em campo. Fomos no carrinho de bate-bate [curto muito] e no chapéu mexicano; comemos pipoca e cansamos.

Mamãe teve a ideia de ir ver o rodeio então, já que não estávamos fazendo nada. Meu irmão disse não, bateu o pé e ganhou a carta de alforria: ingressos para ir se divertir sozinho no parque. Eu fiquei puto da vida, mas era o caçula e tinha que ficar perto da mamãe. Fomos para a grade ver alguém tentar laçar o boi. Mas aí a história fica legal.

Estávamos distraídos, vendo e ouvindo o locutor narrar aquela partida de futebol louca tentativa de o cowboy pegar um boi meio caquético, um bezerro meio crescido. Minha mãe sempre foi neurótica, como a maior parte das mães comuns, imagino eu. E num desses momentos neurose dela resolveram soltar uma bomba, o que a cabeça dela decidiu decodificar como um tiro.

Daí em diante ocorreu a maior sucessão de desastres da minha vida em menos de uma hora. Ela virou para o meu pai e disse “Isso é tiro. Pega o Rômulo!” e me agarrou pelo braço e começou a correr em direção à avenida e ao carro. Assistindo Carga Pesada depois, eu diria que a dona Eva poderia ter dito “É cilada Bino”.

Nunca tinha visto minha mãe correr tanto quanto naquela noite. Corríamos como se o Touro Bandido, da novela América, estivesse atrás da gente, louco e raivoso.

Ué, mas não era?!

Ué, mas não era?!

Lembra que eu disse no começo do post que estava uma neblina nesse dia, quase uma garoa? E que era um campo de futebol de várzea? Então, juntos esses dois fatores criaram um problema: lama. Minha mãe escorregou numa parte do campo e foi pro chão. E eu fui junto.

Nós dois não contávamos com uma coisa: que todas as outras pessoas iriam dar ouvidos ao que ela disse. Quando eu olhei para trás não tinha um touro, mas centenas de pessoas correndo desenfreadamente. E a gente estava no chão.

Foi cena de filme. A carteira dela escorregou da mão e alguém passou e chutou. “Minhaaa carteeeiraaaaaaaa!” O infeliz que tinha chutado e passado por cima de nós dois gritou lá na frente “Desculpa tia”, enquanto várias outras pessoas passavam loucamente. O narrador também ouviu minha mãe e falava no microfone “Volta pessoal, volta. Não foi tiro; era uma bombinha”.

Que nada. Ninguém escutou o que ele disse. Minha mãe, com o seu poder persuasivo, fechou o rodeio e o parque de diversões. Se tivesse sido tiroteio, eu e minha família, apesar da agilidade, teríamos morrido. Eu estava chorando a essa altura. Nem brinquei direito, fui pisoteado e estava todo sujo. Meu pai tinha conseguido encontrar meu irmão e eles estavam do outro lado da avenida já, intactos e limpos.

Mas a aventura não acabou por aí. Quando chegamos na Brazuca Marrom eis que encontramos uma charrete com um cavalo preso ao poste. Meu pai deu partida no carro e começou a sair quando percebeu que a charrete estava acompanhando, e o cavalo vindo junto, de marcha à ré. O animal havia dado ré na charrete, mais cedo, e o parafuso e a porca do veículo agrícola simplesmente entraram na grade da Brasília. E não tinha quem tirasse eles de lá.

Meu pai, bufando, começou a procurar o dono daquele treco. Encontrou um ser bêbado a uns 150 metros, perto de uma padaria. Quando o cara conseguiu chegar perto do poste – ele demorou muito tempo – ainda reclamou. “Poxa, esse carro tinha de estar aqui?” Meu pai quase pulou no pescoço dele, mas manteve a paciência. No fim, o bêbado só atrapalhou e depois de uma meia hora o cavalo fez um movimento mirabolante e o parafuso saiu da grade do carro.

Quando tudo isso acabou já eram umas 23h. O lugar estava sinistro: tudo escuro, aquela neblina, a avenida e o campo vazios. Eu, meus pais, meu irmão e a Brasília, um bêbado, seu cavalo e a charrete era tudo o que sobrava naquele lugar. Foi uma experiência traumatizante. Nunca mais fui em rodeios, mas ainda arrisco os parques de diversões [mas não os itinerantes].

Essa história já foi contada diversas vezes para a família, para os amigos e quase virou um Retrato Falado, mas minha mãe não quis mandar a carta. Daí resolvi espalhar ela por aqui mesmo.

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Nascimento [Festa de Inauguração]

sábado, 16th *.* maio, 2009

Resolvi começar esse blog, finalmente. O projeto dele existe há cerca de seis meses, com tudo no rascunho. Mas fiquei com preguiça, porque é sempre bom atualizar com frequência, o que eu não poderia fazer. Mas daí eu resolvi começar, “por quê não?”. Mesmo sem atualizações frequentes.

Começei ele ontem, no dia do meu aniversário.
Por quê?
Porque eu estava com a mamãe e resolvi perguntar como tinha sido o dia 15 de maio de 1988, antes e depois de eu chegar ao nosso mundo. Acho que nunca tinha me perguntado isso, nem a ela. E fiquei surpreso. Dona Eva não sentiu dores.

“Como assim, mãe?! Era um parto e você não sentiu dores?”. E ela olhou para a janela (estávamos num ônibus), como se partos sem dores fossem as coisas mais comuns do mundo e disse “não”.

Pois bem, ela estava no 9º mês de gestação. Eu, apressado, tinha tentado sair algumas vezes antes, lá pelo 7º mês, e ela, como sempre, me impediu de fazer essas coisas sem noção. Ela disse que acordou, com o barrigão (era muito grande mesmo – depois coloco uma foto), e até as 14h teve um dia normal.

Mais ou menos nesse horário, ela se preparava para ir a uma convenção da nossa religião. Estava no quarto, em frente ao espelho, passando o batom. “Dai deu uma vontade de ir fazer xixi. Fui ao banheiro e fiquei muito tempo”. Um amigo da família, chara do papai, Carlos, foi buscá-la para levar à reunião. “Vamos mulher, a Zuleica (esposa dele) está esperando”.

Minha mãe tivera o primogênito da família, Rômulo, de parto cesariana, porque ele insistia em ficar na barriga. Não quis sair de jeito nenhum. Quando os médicos chegaram no útero, o encontraram roxo, com a corda o cordão umbilical enrolado no pescoço. Logo, a bolsa dela não havia rompido quatro anos e meio antes de eu querer nascer.

“Não sabia o que era aquilo”. Ela voltou para frente do espelho para terminar de se arrumar. O amigo entrou e acelerou mais minha mãe. Nisso ela já tinha ido ao banheiro várias outras vezes. “Acho que eu não vou mais. Não paro de ir ao banheiro, como vou poder participar da reunião desse jeito?” O Carlos deu uma luz para minha mãe: “Mulher, sua bolsa estourou. Seu moleque tá nascendo”.

Então, mamãe chamou papai, que chamou o vizinho com carro, o Vado, e fomos todos felizes para o hospital. Eu querendo nascer loucamente, afinal já fazia dois meses que minha primeira tentativa tinha sido frustrada. Ela explicou que não sentiu dores porque não teve tempo de ter contrações.

Quando chegou à maternidade, o Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, o médico mandou ela direto para a sala de cirurgia, afinal não fazia sentido fazer ela sofrer se não tinha abertura vaginal para passar meu cabeção. Isso porque ela tinha plano de saúde.

No hospital público Santa Marcelina, onde meu irmão nasceu, e também quase morreu, os médicos colocaram minha mãe no soro e mandaram ela esperar. Acho que meu brother não teve paciência e colocou o cordão no pescoço, para agilizar. Ele nasceu com os macetes para fazer as coisas públicas funcionarem. Na ‘malandrági’. E ela teve muitas dores, desnecessárias. Depois, fizeram o mesmo que os médicos do Assunção.

Então, às 20h41 do dia 15 de maio de 1988, o ano do dragão no zodíaco chinês, no signo de Touro no zodíaco astrológico, numa noite de domingo de outono, quando o Fantástico deveria estar começando, eu nasci. Puxaram meu cabeção da barriga e me bateram. Fizeram eu chorar e parar quando me encostaram na minha mãe. Mamãe estava meio dopada, mas disse que eu era “tãao lindo”

Como assim, mãe?! Eu não sou mais hoje? Enfim…

Foi assim que tudo começou, há 21 anos. Hoje, como Thaís me explicou, sou emancipado. Posso casar e ir preso, e me fuder de várias outras maneiras, sem ter que colocar meus pais no meio. E é assim que nasce meu Mundo: sem dores, sem remédios, sem médicos e sem o cabeção.

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Abaixo, o texto original de inauguração, guardados nos rascunhos do blog desde novembro.

Como o previsto, o meu Mundo foi inaugurado junto com o ano que começa. Mas há muito tempo que ele está funcionando, não a todo vapor, mas na medida do possível, para ganhar uma cara legal, de uma maneira quase perfeita (o que nem o autor é) e agradável.

Foram horas a fio, trabalhando (cerca de 16, divididas em dois meses e meio) para que meu mundo, na parte online mas sem o www, ganhasse vida. Quatro tentativas para criar um banner que eu gostasse e que não tivesse que pagar nem pelos direitos autorais ou para um especialista em arte (agradecimentos ao Mah). Escutei milhares de vezes o Gabriel dizer “só falta você e a Nina ter um [blog], aqui da baia”,  e vi a Ana concordar em silêncio, todas as vezes. Só falta a Nina.

Agora o que resta é colocar no papel na tela tudo que acontece nesse mundinho chato, sem graça e parado que roda loucamente. Meu olhos míopes e sem óculos (tá, as vezes eu uso) e meus ouvidos perfeitos (zumbem que é uma maravilha) trabalharão como nunca para captar tudo o que estiver ocorrendo ao meu redor.

Aqui, vai virar pauta uma imagem legal, uma conversa no trabalho, uma viagem de ônibus/metrô ou qualquer outra coisa que seja interessante. Qualquer coisa mesmo, até aquilo que você, leitor, pode não achar. Sorry! Ah, eu aceito sugestões de pauta aqui, tá. Mas tem de ser criativo e escrever em português (pode ser ainda com acentos, tremas e letras diferenciais). Se vier em español ou em english eu tento, mas só vou ler se for realmente bom [/exagerado].

E antes que eu esqueça, a Festa de Inauguração vai ser marcada para quando eu estiver de férias e o Mundo com bastante leitores, porque sem eles o que vai ser da comemoração e do blog, não é mesmo?!