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Até onde as mentiras chegam

domingo, 31st *.* maio, 2009

Minha mãe sempre me ensinou que as mentiras têm pernas curtas. Desde de pequeno eu escuto esse ditado e muitos outros sobre o porquê de não mentir. Mas conforme a gente vai crescendo as coisas mudam e percebemos que alguns tipos de mentiras são válidos na vida, até mesmo porque são exigidas pela sociedade.

Nesse momento minha mãe veio explicar a diferença entre precisar realmente mentir e simplesmente mentir para se safar de certas coisas ou para se dar bem inconsequentemente. Nessa época eu estava na infância e tudo deu um nó. “Quer dizer que eu posso mentir, mas não posso?!” Fiquei confuso, mas depois aprendi o que ela estava querendo dizer.

Aprendi que tudo depende de até onde queremos chegar com essas mentiras, grandes ou não, necessárias ou não, de pernas curtas ou longas. Recentemente houve um fato que me fez voltar a pensar no que o humano é capaz para conseguir algo: a brasileira que acusou neonazistas de agressão na Suíça. Nessa semana, a advogada Paula Oliveira foi internada mais uma vez por causa de possíveis problemas psicológicos.

Claro que o caso dela é muito complexo, pois, como há fortes indícios, Paula pode ter algum problema que pode ter feito ela inventar seguidamente. Esses problemas seriam transtorno bipolar, ainda uma hipótese, e lúpus, esta última confirmada e que pode gerar alucinações nos pacientes.

Adoro House

Adoro House

Mas uso o exemplo da Paula para justificar o que eu vi nesse fim de semana no próprio House [ou outra série que não lembro bem]: quando mentimos uma vez, vamos ter que mentir até o fim. É um ciclo vicioso que nos deixa mal-acostumados e que gera a necessidade de se inventar mais e mais para que não tenhamos que explicar a mentira anterior.

Só que tem uma hora que a nossa cabeça sacaneia e esquecemos alguns detalhes da mentira e somos pegos. Nessa hora entendi o motivo de a mentira ter as pernas curtas: ela não consegue ir muito longe, nem pular tão alto e nem fazer qualquer outra coisa que pernas longas faria.

Primeiro Paula mentiu a gravidez. Depois a agressão, que teria feito ela perder os filhos gêmeos. A imprensa brasileira caiu matando num primeiro momento, afinal, era uma filha da pátria que estava sendo abusada lá fora. Depois, alguém percebeu que podia ser furada e a imprensa começou a condicionar as coisas. Foi quando avisaram que Paula poderia ter feito aquelas coisas com ela mesma. Daí vieram as análises médicas e policiais, que constataram algo errado.

Depois disso veio a enxurrada de mentiras: descobriram que a gravidez era outra farsa, e o ultrassom que ela mostrou como prova havia sido tirado da Internet; os amigos suíços dizem que Paula afirmou ter sido casada aqui, no Brasil, e fantasiado a morte do marido – primeiro, ele estava no voo da TAM que caiu em Congonhas, depois, ele teria sido atropelado por uma lancha.

Agora, Paula Oliveira está sendo processada pelo Ministério Público da Suíça por falso testemunho e, se ficar comprovado que ela estava consciente do que fez e estava querendo dinheiro do governo suíço ou tentando forçar o seu namorado casar com ela, poderá pegar até três anos de prisão.

Por isso, penso duas vezes antes de mentir. Mas nem por isso vou deixar de contar mentiras, afinal, uma psicóloga aí diz no seu livro que mentimos em 25% do tempo. É uma coisa natural. Só depende de como estamos usando essas mentiras e quais são as consequencias delas.

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